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A empresa que inventou a venda a prazo em 1851 agora aposta no TikTok Shop
A Singer, autorizada no Brasil pela Princesa Isabel em 1888, lançou a Azulzinha, máquina de entrada por R$ 599, para alcançar uma nova geração
A Singer inventou a venda a prazo em 1851. Hoje aposta no TikTok Shop e numa máquina de R$ 599. (TikTok/Reprodução)
Mariana Martucci
Head de distribuição e audiovisual
Publicado em 29 de outubro de 2026 às 09h39.
Última atualização em 29 de outubro de 2026 às 12h52.
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A Singer, fabricante de máquinas de costura fundada nos Estados Unidos em 1851 pelo americano Isaac Merritt Singer, lançou recentemente no Brasil a Azulzinha, modelo de entrada vendido por R$ 599. O produto marca o movimento mais recente de uma empresa com 174 anos de história para alcançar uma geração que não tem o mesmo repertório de uso da máquina de costura das anteriores.
A Azulzinha é vendida também pelo TikTok Shop, ferramenta de e-commerce da plataforma lançada no Brasil em maio de 2025, e integra uma estratégia de aproximação com criadores de conteúdo de customização e upcycling de roupas, movimento que ganhou tração entre o público jovem na plataforma.
A entrada da Singer no TikTok veio depois de um salto de categoria registrado durante a pandemia. Entre 2020 e 2022, as vendas de máquinas de costura no Brasil passaram de cerca de 350 mil para mais de 1 milhão de unidades por ano, segundo dados da indústria. Parte do crescimento está associada ao tempo em casa e à busca por renda complementar — hobbies de confecção, pequenos ateliês, costura de máscaras na primeira fase da crise sanitária. Em 2025, segundo o Relatório de Impacto Econômico do TikTok no Brasil, 50% dos usuários da plataforma afirmaram ter começado um hobby depois de assistir a conteúdos no feed.
A reorganização mais recente ocorre em uma companhia que já havia reposicionado o próprio mercado uma vez. Em 1851, Isaac Singer patenteou nos Estados Unidos a primeira máquina de costura doméstica em escala comercial. Diante da dificuldade inicial de venda — o produto era caro para o padrão de consumo da época —, ele criou um modelo então inédito no varejo: pagamento semanal de um mil réis, replicado depois por todo o mundo e conhecido hoje como venda a prazo. Foi essa engenharia comercial, mais do que o próprio produto, que colocou a máquina dentro das casas.
A chegada ao Brasil se deu em 1858, com o primeiro ponto de vendas instalado no Rio de Janeiro. Trinta anos depois, em 1888, a Princesa Isabel assinou o decreto nº 9.996, autorizando a Singer a operar oficialmente no país. Foi no mesmo ano em que ela assinou a Lei Áurea, em 13 de maio. A partir de 1894, a máquina Singer passou a figurar como item recorrente em listas de casamento e enxoval, consolidando-se como objeto doméstico ligado tanto à economia caseira quanto à geração de renda feminina. Em 1951, a empresa construiu em território brasileiro a primeira fábrica de máquinas de costura da América Latina.
Ao longo das décadas, a Singer vendeu cerca de 27 milhões de unidades no Brasil, com maior concentração histórica no Nordeste. A máquina atravessou gerações e se tornou objeto afetivo, muitas vezes mantido como herança de família mesmo quando já em desuso. A mesinha preta com pé de ferro, estrutura clássica dos modelos antigos, é parte do imaginário doméstico brasileiro.
Para a geração mais jovem, porém, o repertório de uso da máquina mudou. A costura em larga escala para enxoval, roupa de criança, cortina e peça utilitária perdeu espaço nos lares em que o consumo pronto se tornou acessível. O que avançou foi outro tipo de uso. Vídeos de upcycling, customização de peças de brechó, bordado e redesign de roupas usadas se multiplicaram no TikTok nos últimos anos, com volume expressivo de visualizações e engajamento. É sobre esse comportamento que a Singer tenta se encaixar com a Azulzinha, posicionando o produto como ferramenta de autoexpressão, não mais como item de necessidade doméstica.
A estratégia inclui parcerias com criadores da plataforma que já produzem tutoriais de costura e customização, além do uso do TikTok Shop como canal direto de venda. Segundo o Relatório de Impacto Econômico do TikTok no Brasil, publicado em 2026, 58% dos usuários brasileiros compram produtos que descobriram na plataforma, e 49% fecham a compra depois de buscar o item ativamente.
A trajetória da Singer é o quarto e último episódio de “O negócio é o seguinte”, série da EXAME em parceria com o TikTok, apresentada pela jornalista Mariana Martucci. A produção acompanhou quatro pequenas e médias empresas brasileiras que ampliaram operações a partir de presença, viralização ou integração a ferramentas do TikTok. Nos episódios anteriores, a série abordou o Dr. Pimenta, maior vendedor do TikTok Shop no Brasil; a Just S’mores, marca de sobremesa que faturou R$ 1 milhão em três meses com um único quiosque na Avenida Paulista após viralizar na plataforma; e a Skala, fabricante mineira de cosméticos que multiplicou por 42 as exportações para os Estados Unidos em um ano após um vídeo espontâneo de uma consumidora americana.
Segundo dados do próprio TikTok, divulgados no Relatório de Impacto Econômico do TikTok no Brasil de 2026, a plataforma adicionou entre R$ 18,6 bilhões e R$ 37,3 bilhões ao Produto Interno Bruto brasileiro em 2025, considerando apenas os investimentos em publicidade. No mesmo período, contribuiu para a criação estimada de 223 mil a 447 mil empregos, entre efeitos diretos, indiretos e induzidos.
Para Monica Guise, diretora de Políticas Públicas do TikTok no Brasil, “quando pequenas e médias empresas ganham acesso a comunidades engajadas no TikTok, o resultado é um impacto que vai muito além das telas”. A executiva afirma que a série, em parceria com a EXAME, pretende mostrar como “seja para um novo empreendedor ou para uma marca centenária que se reinventou, a criatividade e a descoberta dentro do TikTok se convertem em vendas reais e expansão de negócios por todo o país”.
O quarto episódio de “O negócio é o seguinte” está disponível no perfil da EXAME no TikTok.
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Reprodução de Exame

