A Ascensão e Queda de um Gigante do Varejo Brasileiro

A história de uma das maiores redes de varejo do Brasil, que no auge operava cerca de 230 lojas e dominava o mercado, remonta a 1955 no Rio de Janeiro. Fundada por um empresário visionário, a rede não apenas se popularizou por um jingle cativante que grudava na memória coletiva, mas também se tornou um ícone da televisão ao patrocinar programas famosos, como o do comunicador Abelardo Barbosa. A empresa foi uma das primeiras a entender que vender alimentos podia ser sinônimo de entretenimento, contando com personalidades da TV em suas campanhas.

Em 1972, essa varejista inaugurou o que é lembrado como o primeiro hipermercado do país, na Avenida Brasil, no Rio de Janeiro. O edifício, com sua torre e relógio de quatro faces, virou um ponto de referência. Nos anos seguintes, impulsionada pela aquisição de concorrentes, a rede expandiu sua atuação para sete estados e o Distrito Federal. Em meados dos anos 1980, alcançou seu auge: mais de 200 unidades, cerca de 22 mil funcionários e um faturamento anual que superava os 700 milhões de dólares. No estado do Rio, onde se concentrava a maioria de suas lojas, era líder absoluta no setor.

A derrocada, no entanto, veio de uma combinação de fatores complexos. A rápida e intensa expansão, com a aquisição de outras redes e a aposta em lojas gigantes, levou a um inchaço estrutural. A capacidade de gestão financeira não acompanhou o ritmo do crescimento em número de unidades, gerando fragilidade. Em seguida, as medidas econômicas do governo da época agravaram a situação. O congelamento de preços imposto pelo Plano Cruzado em 1986, sem um congelamento correspondente dos custos, corroeu o caixa da empresa. Anos depois, o confisco de depósitos nos anos 1990 eliminou a liquidez necessária para honrar pagamentos, minando o fôlego financeiro da rede já enfraquecida. A concorrência, enquanto isso, avançava.

Os números da queda foram drásticos: em 1991, o quadro de funcionários já havia diminuído pela metade. Em 1992, de suas mais de 200 lojas, muitas foram vendidas, devolvidas ou fechadas. A empresa encerrou formalmente suas atividades com o decreto de falência em março de 1999. Apesar de uma tentativa de retorno como supermercado online no final dos anos 1990, o projeto não vingou. Contudo, a marca deixou uma memória forte, especialmente entre os cariocas, testemunho de seu impacto duradouro no varejo brasileiro.

Reescrito com informações da matéria original em Exame